A anorexia e a bulimia
são distúrbios alimentares dos quais o número de casos vem aumentando
especialmente em adolescentes do sexo feminino e com boa condição socioeconômica
e cultural.
O desejo fixo pela magreza e
a busca pelo corpo ideal são características fundamentais para entender esses
dois distúrbios.
As pessoas com estes transtornos têm em comum
uma preocupação excessiva com o peso, medo de engordar e uma distorção da
imagem corporal em que a pessoa não se vê conforme se apresenta na realidade.
ANOREXIA
Caracteriza-se pela
necessidade que a pessoa tem de diminuir o peso, recusando-se a comer e
alegando falta de apetite. A recusa é voluntária e na fase inicial da doença,
não ocorre uma perda real do apetite. Mais tarde o organismo pode acostumar-se
com a pouca alimentação e a pessoa pode chegar até a inanição.
As pessoas que apresentam
anorexia possuem uma dieta com a restrição de grupos alimentares, eliminando
aqueles que julgam mais calóricos, mesmo apreciando esses alimentos. Essa
restrição alimentar aumenta progressivamente, com diminuição do número de
refeições, podendo evoluir drasticamente, até o jejum, desejando a todo custo
ficar cada vez mais magro
.
O anoréxico pode morrer em
estado de desnutrição. Desidratados, os pacientes sofrem perda de eletrólitos,
principalmente potássio, fundamental para o funcionamento muscular e cardíaco.
BULIMIA
Caracteriza-se por episódios
repetidos de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios
inadequados, tais como vômitos, uso indevido de laxantes, diuréticos e/ou
outros medicamentos, jejuns e também pode associar exercícios excessivos. A pessoa
sente uma fome excessiva, e em seguida, busca mecanismos para eliminar o
alimento consumido. Neste transtorno há a compulsão alimentar que é a perda
do controle sobre a ingestão dos alimentos, onde a pessoa ao se ver diante de
alimentos "devora" tudo. Normalmente ela come sozinha e escondida, não se importando com o sabor da comida ou sua combinação. Após
o episódio compulsivo, sente-se culpada e com certo mal estar físico em razão
da quantidade excessiva de alimentos ingeridos, ocorrendo-lhe a ideia de
induzir o vômito para não engordar. Este comportamento lhe traz satisfação e
alívio momentâneos e assim ela pensa em ter descoberto a forma ideal de manter
o peso sem restringir os alimentos que considera proibidos.
O comportamento
compensatório e inadequado de recorrer à indução do vômito, se dá com a
utilização dos dedos, colheres ou cabo da escova de dentes e para escondê-lo a
pessoa bulímica, muitas vezes, toma o cuidado de praticar o vômito debaixo do
chuveiro para lavar o local e dar tempo para sumir o cheiro, pois se preocupa
em esconder este comportamento. A frequência desses episódios é variável
podendo ocorrer várias vezes em um único dia ou em uma semana. Diferentemente
do anoréxico, o bulímico não tem desejo de emagrecer mas, pelo menos, manter o
peso.
O paciente nem sempre
emagrece. Ainda que ele induza o vômito ou use laxantes e/ou diuréticos, entre
30% e 50% da alimentação são absorvidas pelo corpo.
O bulímico pode morrer
devido aos métodos purgativos há pacientes que chegam a vomitar 15 ou 20
vezes por dia que estimulam a desidratação e perda de eletrólitos.
CAUSAS
São várias as causas, mas alterações
na dinâmica familiar como perdas, separação, nascimento de irmão ou acolhimento
de novos membros podem desencadear a doença.
Em geral, os pacientes
bulímicos ou anoréxicos, muito antes da doença estabelecida, já apresentam
alguma alteração do comportamento: hábito de fazer dieta mesmo quando o peso é
proporcional a estatura, crítica constante a alguma parte do corpo e
insatisfação mesmo ao perderem peso, com diminuição gradativa de suas
atividades sociais.
SINTOMAS
Fadiga, queda de cabelos,
pele seca, constipação, dor abdominal, inflamações anais, dormência,
intolerância ao frio, ausência dos ciclos menstruais e infertilidade são alguns
sintomas predominantes. Ainda é possível encontrar aumento da ansiedade e da
impulsividade, abuso de drogas ilícitas e álcool, promiscuidade sexual e risco
de suicídio.
Juntamente com esses
sintomas, é frequente o baixo rendimento escolar devido a falta de
concentração, apatia, desânimo e sonolência que eles procuram justificar com
outras causas, escondendo o verdadeiro motivo desses sintomas. Psicologicamente,
pessoas com esses distúrbios possuem baixa autoestima, excessivo
perfeccionismo, medo de mudanças, preocupações excessivas, hipersensibilidade,
rigidez de caráter e conduta, dificuldade em expressar emoções, necessidade de
ser aceita e agradar a todos e chamar a atenção.
TRATAMENTO
O tratamento se dá com ou
sem internação e utiliza de equipe multiprofissional com intervenções
medicamentosas, psicológicas e nutricionais.
Na maioria dos casos, o uso
de medicamentos são destinados a corrigir as distorções do pensamento
associados aos transtornos da imagem corporal e os sintomas depressivos
associados às alterações do apetite, considerando-se ainda, as complicações
devido aos distúrbios orgânicos provocados pelo transtorno. A introdução
de alimentação parental pode se fazer necessária para reposição de
oligoelementos, vitaminas e sais minerais bem como a adequação da dieta.
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